CONHEÇA OS RITOS EGÍPCIOS DA FRANCOMAÇONARIA


Tanto a filosofia quanto a história da Francomaçonaria são muito vastas e ricas. É preciso muito estudo para se tornar um Maçom eminente. Um dos estudos mais curiosos e mais fascinantes é o dos Ritos Egípcios da Maçonaria, pois envolvem uma mistura de mito, misticismo, assim como m

HÁ QUEM DIGA QUE O KRATA REPOA É UM TEXTO INVENTADO, MAS SE O FOI, O FIZERAM MUITO BEM, POIS ESTE DOCUMENTO RELATA PROFUNDOS CONHECIMENTOS DA PRÁTICA MAÇÔNICA ASSOCIADA AOS RITOS EGÍPCIOS

 

Um texto de fundamental importância para todos os Maçons desejosos de compreender o Antigo Espírito da Tradição. Muito embora, seja apontado como um material forjado muito depois do surgimento da Maçonaria em sua forma de organização atual. No entanto, as profundas semelhanças com a Antiga Tradição Egípcia, assim como o mesmo espírito que foi comunicado a todos os povos e em todas as culturas, revela seu caráter transcendental a qualquer forma de falsificação.


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Os Maçons mais avançados em graus e aqueles versados tanto em História quanto em Filosofia Maçônica constatarão a presença dessa Tradição neste documento. É importante salientar que este mesmo documento, embora anônimo, foi objeto de estudos e pesquisas de muitos Maçons eminentes mundo afora.

TRECHOS DO KRATA OU CRATA REPOA

Prefácio à Tradução em Português

Um trabalho bastante interessante de ser traduzido, é claro que se trata também de um novo desafio. Mas assim é e sempre será a busca pela Verdade. Esta igualmente deve ser incessante e incansável, pois à medida que avançamos em nosso percurso iniciático, nossos conceitos sobre ela vão se transformando, e nos damos conta da sua relatividade com respeito ao dela enxergamos ou esperamos e, naturalmente, nasce aquele sentimento que deve predominar em todo o Maçom: a humildade.

Tenham sempre em mente que a moral maçônica difere da moral mundana, posto que esta última faz parte de um conjunto de regras de comportamento com o objetivo de assegurar o bom convívio social. Já a moral maçônica, aquela que nos é sempre falada no conjunto de graus e em nossas sucessivas elevações, diz respeito à manifestação da moral (conjunto de virtudes que nos são intrínsecas e que apenas necessito ser despertado pelo exercício de nós mesmos, da Arte Maçônica). Eis o porque a Pedra Bruta é o emblema de nossa mente e é a partir dela que devemos operar constantemente duas importantes ferramentas do Maçom: o malho e o cinzel; e isso a despeito de qualquer elevação em graus, pois muitas dessas imperfeições são imperceptíveis a olho nu e algumas delas se camuflam sob o manto das virtudes, tornando-se praticamente invisíveis aos olhos porque as consideramos como traços de nosso próprio caráter.

Embora, o presente material tenha mais relação com os Ritos Maçônicos Egípcios, ele deve ser objeto de estudo para qualquer maçom a despeito de seu Rito. Muitos o consideram um documento forjado, outros já o aceitam como autêntico. Em todo caso, quem o escreveu e quando o escreveu valeu-se de uma engenhosidade extraordinária.

Um T.’. F.’. A.’. e bons estudos!

Charles Lucien de Lièvre

Coleção Grandes Obras da Maçonaria

A Coleção Grandes Obras da Maçonaria nasceu da necessidade de resgatar as raízes históricas da nossa Venerável Instituição, devido à grande ignorância apresentada por muitos de nossos irmãos de carreira e que repetem os mesmos erros e vícios em Lojas exatamente como se sucedia nos séculos XVIII e XIX, épocas em que a competição pela supremacia de Ritos era bastante acirrada. Muitos desses erros e enganos foram causados pela vaidade humana daqueles que visavam o prestígio de postos, títulos e graus pomposos, assim como pelo entendimento precário da sua atuação como maçons dentro de suas vidas e na sociedade.

Esse resgate é necessário e urgente, posto que a desinformação vai na contramão do próprio espírito maçônico e o apego excessivo à forma faz com que o acessório assuma o lugar do que é essencial, desvirtuando e descaracterizando todo o Espírito Fraternal e Iniciático de nossa Veneranda Instituição.

Há irmãos que repetem, hoje em dia, como papagaios esses mesmos erros e preconceitos nascidos há mais de duzentos anos, sem ao menos saber o porquê disso, como se condição de Mestres e Conselheiros lhes blindassem da ignorância e desvio que sempre assolaram e ainda assolam a humanidade e contra a qual temos que estar constantemente vigilantes.

A presente Coleção foi criada com o propósito de trazer novas Luzes que, na realidade, já são muito mais antigas para que todos os Irmãos, a despeito de quaisquer Ritos, de modo que não apenas olhem para a Estrela Flamejante, mas a enxerguem de fato com os olhos da alma e com o verdadeiro Espírito de Fraternidade Maçônica.

Núcleo de Estudos Maçônicos

 

 

Introdução

O Krata Repoa ou Crata Repoa, porque vocês encontrarão, sem dúvida, a duas grafias dependendo do nível de pesquisa que empreenderem.

Ainda estou procurando por traduções mais antigas do documento original que surgiu na Alemanha sabe-se lá em que época como as de Jean-Marie Ragon, célebre Maçom historiador e crítico da Maçonaria (1781-1862) e criador da primeira revista maçônica “Hermes”. Ragon foi crítico mordaz do Rito de Misraim estabelecido na França pelos irmãos Bédarride, mas ao mesmo tempo um grande admirador deste mesmo como nos deixa entrever em seus escritos, pois ele possuía um certo fascínio pela Maçonaria ocultista do século XVIII.

Outra tradução interessante, e esta já tenho em mãos, mas desta vez em inglês “The Secret Societies of All Ages”, Vol. I, publicada em 1807, cujo autor é Charles William Heckethorn, outro Maçom investigador britânico que tentou reunir em dois volumes todas as informações sobre as sociedades secretas e iniciáticas mais conhecidas na época.

Deve, com certeza, existir referências mais antigas e até mesmo em outros países, mas a pesquisa é longa e requer muito trabalho e dedicação para trazer toda essa informação do passado.

A versão em inglês mais famosa sobre este documento e a mais difundida é a do também célebre franco-maçom e historiador canadense Manly P. Hall que aparece em seu livro “Freemasonry of the Ancient Egyptians”, editado em 1937.

Se trata-se de um documento forjado ou não, ele tem despertado ao longo da história da Maçonaria e das civilizações, a curiosidade de muitos pesquisadores e maçons eminentes no mundo inteiro. Seu estudo vale a pena e as semelhanças com as práticas maçônicas são dignas de nota. Isso não quer dizer que o documento aponta para o Egito como berço de nossa Veneranda Instituição, como muitos já o fazem, tal hipótese seria um tanto precipitada, pois o tema é digno de muito estudo e pesquisa, e teve muito em discussão ao longo da segunda metade do século XVIII e durante todo o século XIX, XX e se estende até os dias de hoje.

O mais importante e nos munirmos de documentos e pesquisas cada vez mais aprofundados de modo que possamos embasar melhor nossas ideias e conceitos sobre o assunto; e não propagar impropérios como fazem os ignorantes, ainda que sejam nossos Irmãos. Tenham em mente que uma das principais missões da Maçonaria é instruir a humanidade, e este espírito de instrução, pesquisa e estudo é o que devemos incitar em nossos Irmãos, só assim conseguiremos realizar o Espírito de Fraternidade tão pregado pela nossa Maçonaria.

Charles Lucien de Lièvre

O Tradutor

O Que Você Deve Saber Antes de Ler Esta Obra

1. Leia esta obra sem paixões e sem defender este ou aquele Rito. Lembre-se de que o verdadeiro Maçom é um eterno buscador e insatisfeito e todas as verdades são relativas à nossa esfera de compreensão. Na realidade, a Verdade se descortina aos nossos olhos à medida que aumentamos o nosso raio de visão (eis um dos usos do compasso).

2. Nenhum Rito é dono da Verdade absoluta, por mais regular que se diga, cada um possui sua beleza, sua grandeza e, dependendo da qualidade dos membros que compõe a Fraternidade, sua pequenez também. Por isso, mantenham sempre os malhos e cinzéis em operação e busque por suas imperfeições. Tenha em mente que à medida que sua pedra se torna mais polida, são as imperfeições menores e mais difíceis de serem detectadas as maiores e as que impõem maior obstáculo à sua carreira maçônica. As mais grosseiras, embora feias, são mais fáceis de serem debeladas. Ao passo que as mais sutis são aquelas quase imperceptíveis e que nos dão uma falsa aparência de beleza e serviço concluído sobre a Pedra agora já polida. Seja mais criterioso, procure por imperfeições em todos os ângulos, faça mais uso de seu esquadro, régua, prumo e nível e verá que sempre encontrará um pequeno desnível, um pequeno ângulo torto que requer mais trabalho, mais atenção e mais olho clínico.


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3. Muitos são os Maçons que incorrem no erro de acharem-se os suprassumos da perfeição, pois apegam-se à aparência de cargos, títulos e graus. Esquecem-se muitas vezes de que todas as formalidades maçônicas são para revestir emblemática a verdadeira Obra que deve ocorrer dentro de cada um de nós; não fora.

4. O mais belo e mais suntuoso dos Templos Maçônicos erigidos à glória do Supremo Arquiteto dos Mundos nada representaria e cairia certamente em reunidas se ali Irmãos não pudessem se reunir para formar a Loja. O Templo é apenas o local, mas a Loja somente é aberta quando os Irmãos se reúnem, portanto, o Espírito Maçônico está dentro de cada Irmão e é cada Irmão. Hoje, confunde-se muito a Loja com o espaço físico quem ela é aberta. Fique atento e retorne aos conceitos corretos da nossa Fraternidade.

5. Um dos motivos pelos quais o teto de um Templo deve ser representado por uma abóbada celeste é justamente essa linguagem interior que nos diz que o Templo do Maçom é o mundo, mas a Loja é o Espírito de união e Fraternidade que deve contemplar todos os Irmãos e a humanidade como um todo.

6. Tenha em mente de que não é a Maçonaria que lhe confere prestígio social, mas você o dá a si mesmo quando se torna um exemplo daquilo que nela aprende e da filosofia que defende. E este prestígio retorna à Maçonaria na razão direta em que você seja capaz de representá-la onde quer que esteja.

Um forte T.’. F.’. A.’. a todos e bons estudos!

Charles Lucien de Lièvre

 

 

Crata Repoa

ou

Krata Repoa

As Iniciações nos Antigos Mistérios dos Sacerdotes do Egito

Preparação

Quando um candidato queria entrar na Sociedade Antiga e Misteriosa de Crata Repoa, tinha que ser recomendado por um dos Iniciados. A proposição era geralmente feita pelo próprio rei, que redigia uma autorização aos sacerdotes(1).

Tendo-se apresentado em Heliópolis, o Aspirante era encaminhado aos sábios da Instituição em Mênfis, e eles o enviavam para Tebas (Porfírio - Vida de Pitágoras). Aqui ele era circuncidado(2) (Heródoto, livro 2. Clemente de Alexandria, Stromat. I). Eles o colocavam em dieta, proibindo certos alimentos, como legumes e peixe, também vinho(3), mas após a sua iniciação essa restrição era atenuada. Ele era forçado a passar vários meses trancado em uma cripta(4), abandonado a seus pensamentos, permitindo-se escrever seus pensamentos. Ele era então rigorosamente examinado para determinar os limites de sua inteligência. Quando chegava a hora de tirá-lo da cripta, era levado a uma galeria cercada pelas colunas de Hermes, nas quais eram gravadas as máximas que ele tinha de aprender de (Jâmbico, de Mysteriis Pausânias, livro I, afirma expressamente que essas colunas eles se encontravam nos subterrâneos perto de Tebas). Quando ele conseguia superar esta prova, um Iniciado chamado Thesmophores (Introdutor) se aproximava dele. Ele segurava na mão um grande chicote, com o qual mantinha as pessoas afastadas da entrada, chamada de Porta do Profano. Ele introduzia o Aspirante na caverna, onde vendava os olhos, colocando ataduras elásticas nas mãos.

(1) O governo do antigo Egito era teocrático. Embora o faraó parecesse ser o chefe do estado, os sacerdotes eram os verdadeiros governantes do império. O rei era colocado em seu trono pelos sacerdotes, mantido ali por influência sacerdotal, e permanecia toda a sua vida sob a tutela e proteção do sacerdócio. Os templos eram os santuários das Letras e das Ciências, e o conhecimento em todos as suas ramificações era cultivado exclusivamente pelo sacerdócio. Na civilização moderna, considera-se como princípio sagrado que o conhecimento seja de propriedade comum; toda a humanidade tem o direito de participar do conhecimento de acordo com a amplitude de suas habilidades intelectuais. Mas no Egito Antigo o conhecimento era considerado um grande privilégio, e a educação estava sob a direção de um pequeno número de indivíduos escolhidos que eram organizados nas Escolas de Mistério ou nas instituições sagradas do Estado. Os membros desses grupos eram unidos por laços, votos e juramentos de sigilo.

(2) O irmão Godfrey Higgings sugere que esta é a origem da crença popular de que todos os maçons são marcados.

(3) Os drusos e outras sociedades conhecidas em nosso dia 29 seguem o mesmo costume antigo.

(4) O Yoga Hindu faz o mesmo, mas é para você ter a oportunidade de adotar costumes de hibernação e contribuir para o resultado.


Primeiro Grau – Pastophoris

O Aprendiz era encarregado de vigiar a entrada que leva ao Portão dos Homens. O aspirante, tendo sido preparado na cripta(5), era conduzido de mãos dadas pelo Tesmophores e apresentado na porta dos Homens (Apuleyo, Metamorphosis, livro 2). (Cícero, De Legibus, livro 2 - Mysteriis ex agreste imanique vita exculti ad humanitatem et mitigati sumus.). Na chegada, o Thesmophores tocava o ombro do Pastophoris (um dos últimos aprendizes), que guardava o lado de fora, e o convidava a anunciar ao Aspirante, o que ele fazia batendo à porta de entrada (Este ato é representado em uma dos Pirâmides) Tendo dado uma resposta satisfatória às perguntas feitas, o Neófito era admitido, abrindo a Porta dos Homens.

O hierofante o questionava novamente sobre vários assuntos, e o neófito lhe respondia categoricamente (Plutarco, em Lacon Apoph. Lisandro). Eles o giraram em torno da Birantha (Histoire du Ciel, livro 1, página 44), lutando para aterrorizá-lo através de luzes artificiais, estrondosos aplausos, granizo, chuva e tempestade (Eusebio. Cesar, Preparat Evangel. Clemente de Alexandria, Admonit ad Gent.).

Se, apesar disso, ele não desanimava, o Menes, ou leitor de direito, lia a constituição da Sociedade, à qual ele jurava se conformar. Após essa adesão, o Thesmophores o levava com a cabeça descoberta, de frente para o Hierofante, diante do qual ele se ajoelhava. Ele fazia um juramento de fidelidade e discrição enquanto apontavam a ponta de uma espada para sua garganta, invocando o sol, a lua e as estrelas para testemunhar sua sinceridade (Alexander ab Alexandro, livro 5, cap. 10). Então a venda era removida de seus olhos e era colocado entre duas colunas quadradas chamadas Betilies (Eusebio, Demonst. Evang. Book 1). Entre essas colunas havia uma escadaria de sete degraus e outra figura alegórica de oito portas de diferentes dimensões (Origens, Cont. Cels. - página 34 da tradução de Buchereau). O hierofante não explicava na época o significado misterioso dos emblemas, mas dirigia-se a ele da seguinte maneira:

Para vocês que vêm para adquirir o direito de ouvir, eu lhes digo: as portas deste Templo estão firmemente fechadas ao profano, eles não podem entrar aqui, mas vocês, Menes, Museu, Filho de obras celestiais e pesquisa, escutem bem minhas palavras, pois eu tenho que revelar-lhes grandes verdades. Cuidado com os preconceitos e paixões que podem separá-los do verdadeiro caminho da felicidade, fixe seus pensamentos no Ser divino e mantenha-o para sempre diante dos seus olhos, para os propósitos de um melhor governo do seu coração e dos seus sentidos. Se vocês desejarem trilhar o verdadeiro caminho para a felicidade, lembrem-se de que estão sempre na presença do Todo-Poderoso que governa o universo. Este único ser produziu todas as coisas, através dele existem(6), Ele as preserva; nenhum mortal pode contemplá-lo, e nada pode ser escondido de Seu olhar”(Eusebio, Preparat Evangel. 1-13. Clemente de Alexandria, Admonit. Ad Gent.).

Depois desse discurso, faziam o aprendiz subir a escada e diziam-lhe que era um símbolo da metempsicose. Eles também ensinaram a ele que os nomes e atributos dos Deuses tinham um significado maior do que o conhecido pelo povo.

A instrução desse grau era científica ou física; eles explicavam a causa dos ventos, raios e trovões; Eles ensinavam anatomia e a arte da cura, e como fazer medicamentos. Eles também ensinavam linguagem simbólica e escrita hieroglífica (Jâmbico, Vida de Pitágoras).

A recepção terminava, o Hierofante dava ao Iniciado a palavra pela qual eles se reconheciam. Essa palavra era Amoun, que significava: ser discreto (Plutarco, De Isis e Osíris). Eles também ensinavam-lhe o toque da mão (Jâmbico, Vida de Pitágoras). Eles colocavam uma espécie de capuz que terminava em forma piramidal e encaixavam um mandril chamado Xylon. Em volta do pescoço ele usava um colar com franjas que caía sobre o peito. Além disso, estava sem outras roupas. Seu trabalho era atuar como Guardião do Portão dos Homens.

(5) Entende-se por isso que é chamado na Maçonaria do século XVIII como o gabinete de reflexão, espaço para concentração e meditação.

(6) Um dos mais profundos segredos das doutrinas metafísicas da antiguidade era a crença em um Deus perfeito, único e eterno. Os iniciados mais sábios reconheceram a unidade do princípio divino e deixaram a população ignorante e desinformada das teologias politeístas. Os gregos, como os egípcios, reconheciam um deus cujos mistérios celebravam com rituais e ritos apropriados. Os menos informados entre os gregos, no entanto, continuaram a adorar um elaborado panteão de divindades. A adoração de Deus foi celebrada pelos maiores filósofos gregos no templo de Elêusis sob o pretexto de venerar a Deusa Ceres.

 

Segundo Grau – Neocoris

Este grau, e o próximo, representam cerimônias semelhantes na Maçonaria Simbólica, e eles também têm afinidade com dois dos mais altos graus da Série do Concílio [Conselho].

Se o Pastophoris, durante o ano de seu aprendizado, dera evidência suficiente de sua inteligência, era então submetido a um severo teste para prepará-lo para o grau de Neocoris (Annobius, liv. 5). Tendo passado o ano, ele era levado para uma câmara escura chamada Endymion (Gruta dos Iniciados). Ali, mulheres bonitas lhe serviram uma refeição deliciosa para reabastecer suas forças fracas, que eram esposas de sacerdotes ou virgens dedicadas a Diana. Elas o convidaram para amar através de gestos. Ele tinha que ter sucesso nesses difíceis testes para dar provas de controle sobre suas paixões(7).

Depois disso, os Thesmophoros apareciam e faziam várias perguntas. Se o Neocoris respondesse corretamente, era levado para a montagem. O Stolista (ou Pulverizador) jogava água nele para purificá-lo. Eles exigiam sua declaração afirmando que ele havia se conduzido com sabedoria e castidade. Depois de uma declaração satisfatória, os Thesmophoros iam até ele, segurando em sua mão uma cobra viva, que jogavam em seu corpo, mas que ele puxava com o fundo de seu avental (Julius Firmicus Maternus, cap. 2, diz que era um cobra artificial dourada).

A câmera parecia estar cheia de répteis, para ensinar os Neocoris a suportar o terror do corpo(8). Quanto maior a coragem mostrada no teste, mais ele era elogiado após o recebimento. Então eles o guiavam para duas colunas altas, entre as quais havia uma torneira empurrando uma roda (veja a representação no Grande Gabinete Romano). As colunas indicavam o leste e o oeste. A torneira era o emblema do sol e os quatro raios da roda indicavam as quatro estações do ano.

Eles o instruíam na arte de interpretar o higrômetro, por meio do qual mediam a inundação do Nilo; eles o instruíam em geometria e arquitetura, e nos cálculos e medições que ele teria que usar mais tarde. Mas estes eram grandes segredos, revelados apenas àqueles cujo conhecimento estava bem acima do comum das pessoas.

Sua insígnia era uma bengala com uma cobra entrelaçada 9 (O Caduceu de Mercúrio, emblema do movimento do sol ao redor da eclíptica). A palavra do grau era Heve [Eva], e desta vez eles contaram a ela sobre a queda da raça humana(10). O sinal consistia em cruzar as mãos no peito (Norden dá desenhos desse tipo).

O trabalho do Neocoris consistia em lavar as colunas.

(7) Isso pode ser considerado improvável, no entanto, é verdade. Os drusos o apresentam como o último grande teste ao Iniciado, e o advertem severamente no caso de ele não cumprir seu juramento. Isso precede as aparições sombrias em que pode ser chamado de Salão dos Espíritos, que eles fazem aparecer à vista do Iniciado por vontade mesmérica, dias de jejum e provações.

(8) Os coptas possuíam a arte de privar-se de veneno.

(9) O caduceu de Mercúrio é o emblema do movimento do sol ao redor da eclíptica (nota editorial: o movimento do sol é representado por cobras, mas essa é uma das interpretações desse símbolo).

(10) Clemente de Alexandria diz algo semelhante. Também parece confirmado por recentes descobertas de inscrições assírias. Há também sociedades com dados mais antigos, nos abrigos do Himalaia, que transmitem essas informações. Em algum momento, vamos apresentar uma carta em relação ao assunto e mostrar a importância dessas sociedades na transmissão dos Antigos Mistérios e da Maçonaria Moderna.

Quando relacionamos essa particularidade ao comentário que encontramos em um livro famoso, certamente descobrimos que a similaridade dos sistemas merece a atenção concentrada dos pensadores. Não devemos esquecer que o autor do Gênesis foi levado à corte do faraó egípcio e iniciado nos Mistérios. Em outras palavras, ele havia mergulhado profundamente nos segredos do templo e obtido a posse de um conhecimento secreto, cujo significado profundo nunca foi questionado. Moisés, da mesma forma, alcançou o domínio dos princípios da legislação religiosa e deu prova disso quando se tornou líder de seu povo.

Aproveite a leitura dessa obra que é um documento importante para todos aqueles que se interessam pelos Ritos Egípcios da Maçonaria.

T.’. F.’. A.’.

Charles Lucien de Lièvre

O Tradutor

Krata Repoa ou Crata Repoa

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